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Para médicos

Como preencher o laudo caracterizador, campo a campo

O que a fiscalização espera encontrar em cada parte do laudo, segundo o manual do MTE de 2025, e os erros que mais levam à recusa do enquadramento.

1. Forma e cabeçalho

  • O laudo deve ser legível e, de preferência, digitado.
  • Identifique o trabalhador com nome e CPF.

2. Origem da deficiência e CID

Assinale a origem (acidente de trabalho, congênita, pós-operatório, acidente comum ou doença) e anote o CID.

3. Descrição funcional: o coração do laudo

Descreva as dificuldades nas atividades da vida diária: marcha, força, mobilidade doméstica e urbana, comunicação, cuidado pessoal, leitura e escrita, compreensão e interações sociais, conforme o caso.

Evite descrições genéricas como “não pode carregar peso excessivo” ou “não pode caminhar distâncias excessivas”, pois ninguém deve fazer esforço excessivo. Prefira dados concretos: “não consegue carregar cargas maiores que 5 kg” demonstra a limitação.

Informe também os apoios que a pessoa usa: órteses, próteses, aparelho auditivo, lentes especiais, bengala, muletas, softwares de adaptação, tecnologias assistivas ou auxílio de terceiros.

As limitações são para a vida diária, e não para o trabalho, porque o posto de trabalho deve estar adaptado e acessível.

4. Tipo de impedimento e documentos

TipoAnexar ao laudo
FísicaDescrição detalhada dos impedimentos e das limitações. Pode ser preenchido por profissional de saúde de nível superior habilitado na área, como o fisioterapeuta.
AuditivaAudiograma (sem aparelho). Nome do paciente em todas as folhas.
VisualAcuidade com correção nos dois olhos (Snellen) ou campimetria com o somatório em graus. Dispensada a acuidade na visão monocular com prótese ou perda visível do olho, declarada no laudo.
TEA, intelectual e mentalLaudo do especialista com diagnóstico e habilidades adaptativas alteradas.
MúltiplaComprovação de cada deficiência, com todos os itens assinalados.
ReabilitadoCertificado de reabilitação profissional do INSS.
Certificado PcD do INSSO certificado obtido no Meu INSS, sem exames complementares.

5. Conclusão e assinatura

Ao final, registre a conclusão de que a pessoa atende aos critérios legais de enquadramento, com assinatura e carimbo do profissional.

6. Concordância do trabalhador

O trabalhador assina o termo concordando com a inclusão na cota da empresa e com o envio dos documentos à fiscalização. Isso vale também para o reabilitado.

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Perguntas frequentes

As limitações devem ser descritas em relação ao trabalho?

Não. O manual orienta descrever as limitações para as atividades do dia a dia, comparando com uma pessoa sem o impedimento. Pressupõe-se que o posto de trabalho seja adaptado e acessível.

O que fazer quando a deficiência veio de acidente de trabalho?

Assinalar a origem, anotar o CID e, se o acidente ocorreu durante o contrato atual, anexar a CAT.

O trabalhador reabilitado também assina o termo?

Sim. Todos os trabalhadores devem concordar por escrito com a inclusão na cota e com o envio dos documentos à fiscalização, inclusive os reabilitados pelo INSS.

Outros guias para médicos

Fonte principal: Manual de elaboração de laudos caracterizadores de deficiência para fins de enquadramento na Lei de Cotas (MTE/SIT, 2025).

Resumo elaborado pela equipe do Dr. PCD. Atualizado em outubro de 2026.

Conteúdo informativo para profissionais de saúde. Não substitui a leitura do manual nem a avaliação individual de cada caso.